quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Desenho de observação I

Esta semana fiquei responsável por promover propostas no momento de entrada das crianças. Sinceramente não sabia o que fazer. Tenho sentido em mim uma estagnação. Não por falta de compromisso ou um restrito repertório. Creio ser mais um movimento próprio de se questionar. De se perguntar que caminho seguir. Mais do que uma falta de algo é uma mudança.

Pois bem, me ocorreu de colocar pranchetas com sulfite no jardim e realizar desenhos de observação. Estava com desejo de desenhar, olhar, observar a natureza. E pensei que se as crianças vissem no professor alguém que desenha sempre e exercita o olhar, talvez tivessem uma referência e pudessem ter mais gosto por esse tipo de desenho. Mas, não coloquei esta ideia em prática. Quando cheguei colhi umas flores de São Miguel, coloquei em um copo com água e sentei-me para desenhar no espaço do ateliê.

As crianças vieram. Fizeram desenhos. Uma ou duas desenharam flores, mas não aquelas que havia colhido. Convidei-as a observar, olhar atentamente, a desenhar. Mas nada surtia muito efeito. Continuei meu desenho. Algumas crianças me diziam que estava ficando bonito.

Bárbara sentou-se ao meu lado, disse que iria desenhar as flores. "Finalmente", pensei. Ela fez o desenho do copo e não gostou. Ofereci outra folha. Ela quis apagar o segundo e eu impedi. Disse-lhe que havia muitas folhas e que podia utilizar quantas fossem necessárias, não era preciso apagar. Assim teríamos uma série de copos feito por suas mãos. Daria uma exposição de copos da Bárbara. Desta maneira, a menina poderia apreciar seu próprio percurso e observar como resolveu a questão do copo. No terceiro desenho ela ficou contente com o resultado. Não era bem a forma do copo real, mas era um copo, um pote e para ela era suficiente. Bárbara seguiu em frente e, contra as expectativas do professor, ao invés de desenhar as flores fez um cacto. Guardou e levou para casa.

Finalizei meu desenho. Guardamos tudo e fechamos o ateliê.

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