quinta-feira, 8 de outubro de 2015

28 a 02/10


28/09 - Confecção de máscaras

Tiê chegou, pegou uma folha de papel sulfite e passou a desenhar um monstro terrível e assustador. Com sobrancelhas grossas e inclinadas. Disse-me que queria fazer uma máscara. Eu respondi que aquela folha era muito frágil, que rasgaria fácil e rapidamente. Propus que fizesse no papelão, mas que para tal, realizasse uma cópia por meio do papel carbono - aproveitando a técnica utilizada para os painéis de flores e cactos. Ele topou, fez a cópia e ficou feliz com o produto. Dei-lhe então os materiais necessários: tesoura, furador e elástico. Fora o carbono, quase não coloquei a mão em mais nada. Fiquei contente com o processo, pois Tiê fez a máscara praticamente sozinho. Tive que ajudá-lo a cortar os olhos, que era um tanto complicado.
Depois que ele saiu assustando todo mundo, muitas crianças vieram ao ateliê querendo fazer máscaras. Disse-lhes que eu não faria nenhuma, que se elas quisessem mesmo, podiam pegar os materiais e fazer. Vinícius, Aldo e João foram em frente. Por vezes me chamavam. Eu tentava fazer o mínimo, insistia para que tentassem sozinhos. Vinícius me requisitou muitas e muitas vezes. Chegou a chorar. Fez chantagem na hora de passar o elástico pelo furo, disse que estava bom, que não faria mais nada, mas logo veio pedindo para eu fazer. Eu cedi, mas não por inteiro, ensinei como se passava, era preciso dobrar o elástico e enfiar no furo. Ele aprendeu e passou nos dois furos. Ficamos orgulhosos dele. Notei, posteriormente que ele faz isso sozinho e já não me pede mais ajuda.
Aldo me pediu ajuda também para fazer seu Homem Aranha. Mas disse para ele fazer. Quando vi, tinha cortado a máscara e finalizado os olhos. Mas entendi que ele não tinha ficado satisfeito com ela e queria que eu consertasse.


29/09 - Desenho de observação meliponário

Fiquei meio na dúvida em como começar. Cortei os papéis, separei pranchetas e lápis, peguei seis cadeiras e coloquei tuo próximo ao ninho das abelhas. Logo as crianças começaram a chegar. Ana Júia sentou-se ao meu lado e tentou desenhar a abelha. Fez um desenho esteriopado, com a abelha sorrindo, mas ao lado desta, fez o desenho do ninho. Ana ficou um bom tempo por ali, fez cinco ou seis desenhos diferentes do ninho, das abelhas, dos potes de mel a partir da memória e outro depois que Luis Adolfo abriu a caixa.
Yasmin e Luiza chegaram bem a tempo de ver o ninho por dentro. A primeira sentou-se e fez desenhos do que observou. João Gustavo e Breno também participaram. Mas João repetia que não sabia, que não conseguia fazer. Eu tentei incentivá-lo, dizer que ele sabia, que era possível, que estava bom. E realmente acredito que ele esteja melhorando neste sentido, pois até pouco tempo seus desenhos eram traços e rabiscos.
Enquanto não havia crianças eu desenhava. Creio que estar ali concentrado em algo, desperta o interesse e a curiosidade das crianças. A proposta durou até o café da manhã, sempre com uma criança ou outra.


30/09 a 02/10 - Circuito mandala

Semana passada fiz um circuito com vários percursos fechados, porém ligados por alguma conexão. Inspirado pelo trabalho com mandalas desenvolvido pela Juliana, pensei em criar uma circuito mandala, com percursos fechados uns dentro dos outros. Fiz um triângulo de rampas no centro, em seguida um círculo de pneus, ziguezague de caixotes por último um quadrado formado por tábuas e caixotes. Achei que esteticamente ficou bonito e ouvi coisas a esse respeito de algumas crianças como Naiany, que expressou admiração pelo circuito. Luiza interviu no final da construção, pediu materiais, deu ideias, orientou a disposição deles e montou algumas partes. Utilizamos quase todos os recursos, exceto os caixotinhos.
Como deu muito trabalho, resolvi não desmontar a instalação e deixar pelo menos por mais um dia. Conversei com o pessoal do vespertino para ver se haveria algum problema e foi tudo tranquilo. No fim, o circuito ficou montado por três dias. Notei que muitas crianças interagiram, mas era algo mais introspectivo, individual e solitário. Não foi algo que proporcionou grande euforia e alegria, que disparou muitos agrupamentos. Vi também que algumas se desequilibravam, e que o nível de dificuldade era médio. Fiquei um pouco apreensivo com a questão da segurança, pois os percursos ficaram muito próximos por estarem uns dentro dos outros e não ter tantos materiais para fazê-los mais distantes. Mas no fim das contas funcionou e ninguém se machucou. Quero repetir a experiência posteriormente.

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