Colhi algumas flores de lavanda do jardim para observarmos e desenharmos. A primeira reação de Esther foi fazer aquilo que faz com todas as flores: contorná-las. Mas esta teve um efeito diferente, pois o contorno da haste e da inflorescência não resultava no desenho da flor, como as outras que fizemos. Não fiz propositadamente, mas teve um efeito em um momento oportuno, pois Esther percebeu que não era possível contornar todas as flores. Sentei-me ao seu lado e dei umas dicas, falando que o desenho imitava a flor, que poderíamos fazer o galho traçando um risco. Ela fez, mas na parte das flores disse-me que não sabia fazer. Olhamos as flores com a lupa, conversamos sobre seu formato, ela voltou a desenhar flores como antes.
Luiza e Marya Klara pegaram o guia de pássaros e olharam diversos deles em muitas páginas
- Eu sou esse - dizia uma delas.
- Eu sou esse - dizia a outra.
- Olha, pinguins. Eu sou esse. Você quer ser um pinguim?
- Eu não.
Depois disso cada uma escolheu uma foto de pássaro, pegou uma folha de papel e começaram a desenhar. Nenhuma delas desenhou aves, fizeram outras coisas. Mas pra que desenhar passarinhos se elas podem ser um?
Yasmin pegou uma folha, sentou e falou que iria fazer a seriema. Começou com um círculo para a cabeça, depois um retângulo para o pescoço. Em seguida fez as penugens e aí entrou a questão do olho, pois a seriema está de perfil na foto. Yasmin fez um olho, parou um pouco, observou e logo fez mais um e por fim o bico. Optei em não colocar o problema pra ela ainda. Acho que vale a pena retomar o desenho mais tarde, apreciar e propor um novo, assim teremos dois.
Aqui uma foto de metade da mesa vista de cima. Assim, dá para termos um panorama do que estava acontecendo, pois as crianças estão interagindo e realizando a proposta ao mesmo tempo, o que às vezes não fica claro na narrativa.
Catarina me disse que ia desenhar o tucano hoje e que já tinha visto muitos perto de sua casa. Ela observa cada detalhe, para, olha, desenha; para, olha, desenha novamente.
Com o desenho quase pronto, Catarina passa a preencher o tucano com cores e para a parte preta, utiliza a caneta de ponta porosa mesmo. Faz a ponta do bico, o peito e as costas de preto.
Tiê pergunta o que estamos fazendo e ao ver que Catarina está desenhando um tucanuçu, ele olha para o guia de pássaros e me pergunta se aqueles eram pica-paus. Respondo que sim. Ele me fala que vai desenhar um pica-pau do jeito dele. "Vou fazer um do meu jeito".
Tiê senta e começa o desenho, olha para o guia e faz as garras, o corpo, tenta desenhar os detalhes das plumas. Em seguida, pega algumas cores e colore.
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